O radiotelegrafista campeão

Em meu primeiro livro, intitulado “É Óbvio”, contei a história do radiotelegrafista do navio Presidente Bernardes, que fez uma missão na Antártica em 1984. Quando o navio retornou, houve uma solenidade com entregas de troféus e medalhas para os que se destacaram na missão. Ao chamarem aquele que receberia o troféu principal, que era o Prêmio Eficiência, o comandante elogiou enfaticamente a qualidade do trabalho de Assis Moacir Duque, o radiotelegrafista. Quando ele se levantou para receber o troféu, a plateia se surpreendeu: o mais eficiente tripulante do navio era cego. Um repórter perguntou a ele sobre o motivo do prêmio e ele respondeu: “A deficiência não deve gerar ineficiência. Temos condições de superar qualquer deficiência com uma eficiência ainda maior”.

Atleta paraolímpico

Atleta paraolímpico

Nos últimos anos, difundiu-se em todo o mundo uma nova forma de se encarar a deficiência, para que não haja mais preconceito e essas pessoas tenham oportunidades de estudar e trabalhar como todas as outras. Não se diz mais “deficientes”, e sim “pessoas com deficiência”, mas as palavras daquele radiotelegrafista com deficiência visual continuam sendo muito oportunas.

Também no esporte essa mentalidade já mudou. Desde 1960, em Roma, imediatamente após as Olimpíadas, são realizados as Paraolimpíadas ou Jogos Paraolímpicos. Após a Segunda Guerra Mundial, quando muitos soldados voltavam para casa mutilados, surgiram as primeiras competições de Basquete em Cadeiras de Rodas, Atletismo e Natação. Atualmente, 19 modalidades são disputadas nas Paraolimpíadas.

A maior glória não está na conquista de medalhas, mas sim no exemplo que esses atletas transmitem para as pessoas que ainda vivem sem perspectivas, estigmatizados por suas deficiências físicas e mentais. E quem não aspira ser atleta pode encontrar inspiração e coragem em saber que muitas pessoas estão superando suas dificuldades. O exemplo do esporte pode fortalecer a autoestima e o entusiasmo em muita gente.

Isso vale para todos. Algumas pessoas não têm qualquer deficiência física ou mental, mas se consideram menos capazes dos que os seus colegas. Lembrem-se das palavras do radiotelegrafista da Marinha e dos atletas paraolímpicos. E aqui vou relembrar a frase que está no final do livro “É Óbvio” e que também costuma encerrar minhas palestras:

Lançando o seu coração sobre aquilo em que acredita, você sempre chegará lá.

Abraços do
PROF. GRETZ.

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